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A ÚLTIMA MÚSICA

Por Redação

Junior Corrêa

O assunto do momento tem sido há mais de ano a pandemia do novo coronavírus. Todos sabem disso, mas nem todos sabem de outros temas importantes que foram deixados de lado, mesmo sendo diretamente atingidos pela crise sanitária. Aqui eu quero me referir ao setor cultural de música.

Para entendermos como o setor foi e é atingido e como poderia ter sido amenizado esse impacto, façamos antes uma retrospectiva.

Ainda no ano passado, quando a doença havia chegado ao Brasil e algumas medidas restritivas mais rígidas fecharam o comércio e paralisaram os eventos, os governos estaduais e municipais pediram calma, pois era “para fortalecer o sistema de saúde e evitar o contágio”. O resultado foi uma crise econômica que recuou o Produto Interno Bruto (PIB) em 4,1% em 2020 no Brasil e as mais de 400 mil mortes atribuídas à doença.

Sem querer entrar no mérito da eficácia da política do lockdown e do “Fique em Casa”, lembro que a própria OMS já deu declarações de que as medidas de fechamento da economia não são soluções razoáveis na luta contra a doença, mas sim o cumprimento das medidas sanitárias de distanciamento, higiene pessoal e uso de máscara. 

Contudo, mesmo com o risco de disseminação da doença no ano passado, o carnaval foi permitido. Somente alguns dias depois das festas as medidas mais restritivas foram aplicadas, meio que de surpresa para muitos. Me lembro do casamento de um primo, em que na quarta-feira da semana da cerimônia o governador Casagrande baixou um decreto suspendendo todas as atividades.

Naquele momento todos acataram, na expectativa de que algo fosse feito para que a vida voltasse o mais próximo possível da normalidade o quanto antes. A expectativa era a de que em setembro daquele ano pudéssemos retornar às atividades. Não foi bem assim, como sabemos. Treze meses se passaram e a realidade é que o setor de eventos ficou paralisado a maior parte desse período.

Aqui em Cachoeiro foi aprovada uma lei para que em todas as festas oficiais do município, se houvessem shows nacionais também deveria haver shows de artistas locais. Essa lei foi muito elogiada, mas infelizmente não pode ser aplicada.

Muito embora as lives de artistas renomados, como: Gustavo Lima, Wesley Safadão, Leonardo e Eduardo Costa tenham feito um grande sucesso no YouTube – com milhões de espectadores – as lives feitas por artistas locais nem sempre obtiveram o mesmo êxito. Isso porque as realidades são muito diferentes. Muitos desses artistas locais tinham a música como uma forma de trabalho suado, com baixa remuneração e nem sempre conseguiam entregar um show com qualidade parecida da dos artistas nacionais.

Faço essa comparação não para desvalorizá-los, mas para trazer a luz que não podemos tratar os diferentes de maneiras iguais. Não é porque deu certo para um seleto grupo de pessoas que vai dar para todos, ainda mais se estamos tratando aqui de diferenças econômicas. Ao fim, o questionamento que fica é: o que poderia ter sido feito?

Claro que em época tão conturbada não existe uma resposta clara para um problema que ainda é obscuro. O que é fato é que se não tivessem tratado os bares e restaurantes como locais propagadores da doença e tivessem permitido seu funcionamento seguindo todas as recomendações sanitárias, os músicos poderiam utilizar esses espaços para se apresentarem e conseguirem sua renda. Não sacrificaria todo o setor nem promoveria grandes aglomerações, pois os shows ficariam limitados de acordo com o tamanho dos estabelecimentos.

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