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Requiesce in pace Bruno, o barqueiro te levou com honras altaneiras.

Por Redação

Por Pedro Paulo Biccas Júnior

 

“Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre.”Ariano Suassuna

O Céu amanheceu com uma neblina atípica na terra da garoa, mais intensa que o comum, mais turva que o normal. Era como se os raios de sol fossem impedidos de perpassar as nuvens e clarear este dia tão triste a todos nós.

A notícia do passamento do prefeito da capital paulista, Bruno Covas, abalou a todos, não apenas o meio político, mas também cidadãos e lideranças que enxergavam em Bruno um jovem aguerrido e exemplar, altaneiro.

O adjetivo de altaneiro vem da forma monumental e heroica, em razão de toda luta por ele travada em vida e pelo símbolo que se tornou, com seu passamento, deixando um honroso legado.

O prefeito tucano lutava contra um câncer agressivo no sistema digestivo, com metástase nos ossos e fígado, desde 2019. Nesta última sexta-feira (14) recebeu um sacerdote que realizou a extrema unção, quase que premonitoriamente. 

Seria destino, coincidência ou para os mais céticos “apenas” a confirmação da teoria dos números longos, que seu avô, mentor e ex-governador de São Paulo, Mário Covas, também tenham sido vitimados por um câncer, em 2001.

 Quando soube da doença Bruno contou que não soube reagir na hora, que ficou atordoado, atônito. “Aquilo foi assim uma bomba, né? Uma tapa na cara. Notícia de alguns segundos. Eu fiquei esperando ele [o médico] dar risada, pensei ‘talvez seja uma piada’, mas a risada não veio. Você vai caindo em si e pensando, ‘bom, e agora? O que eu faço? Dá pra tratar? Não dá pra tratar? ‘”, contou. “Tem várias horas que você se pergunta: ‘Por que eu? Será que eu ainda vou passar muitos Natais comemorando com meu filho? ’”, questionou Covas.

Quando conheci Bruno, este jornalista que vos escreve, na verdade desabafa, ainda era um jovem militante da JPSDB, estando com ele por diversas ocasiões, na maioria delas, em encontros da juventude tucana. Posso afirmar, sem sombra de dúvidas, Bruno possuiu a honra e postura de seu avô (Mario Covas), mas uma ternura, simplicidade e simpatia que lhes eram únicos.  

Bruno sempre incentivou a participação da juventude nas gestões públicas. Dizia ele “o jovem, idealista e intelectualmente preparado, este sim está pronto pra vencer”. Também não se fadava de repetir o discurso de Franco Montoro, fundador de seu partido. Dizia sempre ele: “Longe das benesses oficiais do poder, mas perto do pulsar das ruas”.

Outra grande liderança jovem que esteve com Bruno foi o atual chefe de gabinete do deputado federal Neucimar Fraga, Vitor Otoni. À época, Vitor era Secretário Nacional da Juventude tucana, quase que literalmente o ninho de Bruno. Vitor conta que, certa feita, quando estava no governo federal, na pasta do então Ministro Antônio Imbassay, encontrou com Bruno na Câmara, este então deputado federal e ambos conversaram longamente. “Bruno sempre foi uma referência pra todo partido, carregando com honra e carinho o legado deixado por seu avô. Um cara sério e honrado, de fato, um exemplo para nossa geração. Muito triste o que está acontecendo com ele.” Finaliza emocionado.

Um amigo de longa data, muito próximo a família, professor Raul Christiano, fundador do PSDB, deixou uma declaração exclusiva ao portal A7, bastante emocionado:

“Embora o Bruno Covas tenha nascido e crescido num ambiente político, oriundo da cepa do grande Mário Covas, tenho a honra de ter sido o seu companheiro de chapa na primeira eleição que participou. 

Bruno sempre teve uma inteligência acima da média, não só do ponto de vista da sua formação em matemática e economia, mas na capacidade da definição estratégica e de articulação. E Bruno sempre soube conciliar os temas áridos com o bom humor, superar adversidades com esperança e otimismo.

Difícil viver junto com o Bruno Covas sem rir muito. Ele enfrentava e fazia o bom combate sorrindo. O seu avô (Mário) tinha fama de ranzinza e mau humorado. Os mais próximos justificavam esse comportamento devido ao seu sangue espanhol, mas convivi também com ele e sempre percebi a ternura e o respeito com as pessoas. O mau humor explodia quando surgiam adversidades ou fraqueza na execução dos seus planos.

Pelo histórico com Bruno, sempre enxerguei o futuro dele como governador de São Paulo, presidente da República. Essa doença tem sido impiedosa e quer tirar esse alento de todos nós, que o apoiamos e queremos ainda um país verdadeiramente feliz. Não aceito a ideia de que Bruno possa morrer.”

De fato, professor Raul, como carinhosamente sempre me dirigi a ti, Bruno não morreu, isso quem nos explica é a patrística de Santo Agostinho de Hípona:

“A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho…
Você que aí ficou, siga em frente,a vida continua, linda e bela como sempre foi.”

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